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Pegar a Vida pelos Cornos

por SS, em 20.02.13

Gostava de ser daqueles gajos cheios de atitude, que pegam a vida pelos cornos.

 

Não sou. Sou um gajo fraco, cansado, sem perspectivas de futuro e também sem grandes objectivos.

Produto, talvez, de alguns anos de desemprego e trabalho precário.

 

Sou o esterótipo do comum "vadio".

Gosto de passar os dias no café a beber minis e a fumar ganzas.

Gosto de sair à noite, até de manhã, e encher-me de álcool, ganzas e coca.

Sou o gajo que entra num café e as pessoas olham de lado e comentam.

Sou o gajo que vai a uma entrevista e é quase automaticamente excluído. Tatuagens e piercings assustam os empregadores.

Julga-se o aspecto da pessoa e não as suas capacidades ou o seu currículo.

 

Sem álcool e sem droga, a vida assusta-me. Assusta-me cada vez mais.

Estamos a atravessar um período de pura desumanização do ser humano. 

Período em que um pedaço de papel e o seu valor sobrepõem o valor da vida.

Ao fim de umas minis ou um jarro de vinho tinto, ao fim de umas ganzas, a vida deixa de me preocupar. 

Todas as preocupações que me fazem crescer os cabelos brancos desaparecem. Ficam ocultas na minha mente, mas sempre prontas a chegar-se à frente à mínima oportunidade.

 

Poucos sonhos tenho e não tenho  objectivos de futuro.

Tudo o que quero é a felicidade dos meus. Não a minha. Só a deles.

 

E faltam-me forças, falta-me atitude para pegar a vida pelos cornos.

Falta-me coragem! 

E falta-me, acima de tudo, dinheiro.

Dinheiro para tornar realidade os poucos sonhos que se mantêm na minha cabeça desde criança.

Sonhos que a vida, o álcool e a droga se encarregam de destruir.

Sonhos que não passam disso mesmo. Sonhos.

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publicado às 11:50


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